segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

2008 começa na capital Conakry


A terminar o ano de 2007, ainda sem noticias "in Loco", deixo aqui as "meias" noticias que vão chegando através das linhas telefónicas... Sem dúvida que 2007 fica grvado na vida dos nossos "conakry's". Em setembro surge este convite e em dois meses foi possivel concretiza-lo com o apoio de muita boa gente. A 18 de Novembro os três aventureiros a bordo da "aurora" fazem-se às estradas africanas e tudo "corre muito bem". Já sairam da aldeia de Sangbarala e vão entrar o ano de 2008 na capital Conakry, onde vão permanecer duas semanas e depois voltam lá para mais alguns dias! Este projecto está quase a entrar na fase do regresso e aqui fica o desejo de que corra tudo tão bem ou melhor que a ida para lá... que voltem para nos saciarem a sede que fomos ganhando por este projecto!Eles conseguiram um cartão de Tlm em Conakry e deixo-vos aqui o número, mas infelizmente não dá mandar Sms: 0022464978377, só mesmo para ligar!!! Os post's no blog estão atrasados porque o leal está acabar de tratar as fotos, já não deve faltar muito. Mais uma vez partilho convosco a ALEGRIA deles, estão bem, muito bem! O nuno foi apanhado por uma amigdalite, mas já está quase curada... mas nem isso lhe retirou algum entusiasmo, o Mando está deliciado e o Ricardo maravilhado... terão oportunidade de sentir melhor isto, quando eles enviarem os textos e nos descreverem tudo o que se passou nestes dias e já lá vão 44! Nesta altura estão a ponderar ir ao Festival de Música que se realiza no Mali, agora no inicio do mês! Partilho convosco umas das sms mais bonitas que recebi para 2008, a autoria ou simplesmente a intenção é da mãe do Ricardo:

Que o NOVO ANO vos traga dois presentes: uma borracha para apagar o que de mal aconteceu em 2007 e um lápis de cor para pintar 2008. Bom Ano.

Beijos em Abraços

Obrigada pelo apoio sentido através dos comments e também no número de clics.
Rubina.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Noticias Natalícias!!!

Na noite de 24 reinava a "ansiedade, quase desespero", por um telefonema entre as famílias dos "Conakry's". Passavam alguns minutos das 23h e os telefones tocaram desde a aldeia de Sangbarala... Os telefonemas são sempre rápidos e com "delay" enorme, em que metade dos assuntos ficam perdidos nas linhas telefónicas, mas foi o suficiente para vos poder dizer que eles estão BEM, estavam a comemorar o Natal a três e com 40 graus. O que mais sobressai das curtas conversas é o fascínio que estão a sentir, estão mesmo adorar, acreditem! Segundo palavras do Nuno: "Sentimo-nos em casa"... Já podem ver como deve estar o espírito deles. Prometeram enviar textos e mais fotos para o blog, daqui a 4, 5 dias quando forem à capital Conakry. Por isso podem ir clicando porque boas novas devem estar a chegar!


Ficam aqui mais algumas fotos, ainda da viagem até Conakry para nos deliciar....
Até já*




Rubina

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Para todos....

FELIZ NATAL

E

ÓPTIMO 2008

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Já CHEGARAM!!!


A primeira fase deste projecto já está alcançada! Há cerca de 8 dias que os "conakry's" chegaram ao destino, mais rápido do que previam! As comunicações de lá para cá foram bastante atribuladas porque estiveram sem rede bastantes dias e só mais tarde, através de uma cabine telefónica, em C0nakry é que lhes foi possivél contactarem e dizerem que "já tinham chegado e que estava tudo bem, muito bem aliás"! Desde essa altura, já fizeram mais dois telefonemas relâmpagos para nos dizerem que continua tudo bem, que estão na aldeia onde vão ficar durante um mês e estão maravilhados com tudo... Por esta altura já participam em vários workshops e começaram as filmagens e o registo fotográfico sobre a cultura Malinké e tudo o que lhe está inerente. São muitos os europeus, que também se encontram por esta altura do ano na aldeia, para participarem nestas formações de percussão e de dança. Eles estão a algumas centenas de Km da capital Conakry (o único local onde poderiam ter acesso a um telefone ou internet) e segundo o Mandinho "estamos tão bem que não queremos sair daqui". Este é um dos motivos porque não temos tantas noticías no blog, mas acho que é fácil, para todos nós que também vivemos esta aventura, entender! Pediram-me que agradecesse a todos, o apoio que têm dado com mensagens, com as visitas ao blog e com o pensamento também!... obrigada!

Rubina

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Na estrada - MAURITÂNIA, quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Estrada nacional entre Nouakchott e Nioro


No que diz respeito a fronteiras e comparados com os mauritanos, os marroquinos são uns meninos (salvo seja). Isto para dizer que atravessar a fronteira do Sahara Ocidental com a Mauritânia não nos foi tão fácil como atravessar a de Espanha com Marrocos.
Na área marroquina (e já explico porque falo expressamente de uma área e não de um lado por exemplo) foi um pouco demorado, cerca de duas horas, mas foi tranquilo. Passamos pela revista geral de dois ”gendarmes” e um cão à nossa Aurora, por algumas questões obvias sobre a nossa passagem na região e o nosso destino, duas de letra com um agente num gabinete improvisado debaixo de um arbusto, a quem entregamos os passaportes para carimbar a saída oficial do Reino de Marrocos, e siga que se faz tarde.
Depois do último controlo marroquino entramos na terra de ninguém, e explico agora a questão das áreas que referi anteriormente: Estamos (nós, “meninos” ocidentais) habituados a ver uma fronteira como uma linha meia mista, onde os agentes da autoridade dos dois países geminados, quase à vista uns dos outros, tratam de assegurar a entrada e saída de pessoas e bens do seu país de acordo com as suas conveniências e obrigações legais. Pois bem, os marroquinos e os mauritanos andaram à estalada (ou ao tiro para ser mais preciso) até cerca de 1975 pela disputa de território no Sahara Ocidental, altura em que, e em conjunto com os espanhóis, chegaram a acordo sobre a divisão das terras. Marrocos ficou com a zona noroeste rica em minério e os mauritanos ficaram com uma faixa de areia que restava mais a sudeste. Hoje em dia as linhas de fronteira dos dois países parecem separadas por cerca de 3 kms de “terra de ninguém”, onde não há estrada e por onde se circula atrás das marcas de pneus deixadas na areia e na superfície das lages de rocha. Como aquilo não é de ninguém (naquele dia foi timidamente nosso!), ninguém investe ali um tostão que seja e por causa disso a travessia torna-se penosa por causa da grave irregularidade do piso, arriscada a desvios e um grande susto para quem ingenuamente supõe que será assim até ao Mali ou ao Senegal, ou mesmo que aquele é o padrão mauritano para uma das três rotas comercias que atravessam o deserto do Sahara para o centro de África. (Por curiosidade as outras duas rotas atravessam a Argélia, uma para o Mali e outra para o Níger e são muito pouco utilizadas por quem pretende atravessar o deserto por terra.)
Chegados à zona mauritana, passamos pelos controles habituais e apanhamos alguns sustos, principalmente porque levávamos (e ainda levamos) connosco algumas garrafas etílicas refundidas na caixa de mercadoria por cima da Aurorinha, o que atravessando uma fronteira para um país onde o álcool é proibido não é lá muito sensato. Isto despertou obviamente a atenção dos “douanes”, que depois de descobrirem que não tínhamos sido totalmente honestos quando lhes dissemos que apenas tínhamos connosco aquela garrafa de Vodka por abrir que levávamos na mala e quase à vista, desconfiados, nos revistaram o carro de alto abaixo e a cada minuto sacavam uma nova garrafa. Ora whisky, ora vodka, ora as borradinhas de bagaço e mel que nos ofereceram em Portugal (obrigado Eduardo, valeram bem a pena e ainda sobram umas 6). O ambiente azedou um pouco e os sorrisos desapareceram. Restava-nos coçar a cabeça e “rezar” para que não nos abrissem os sacos onde guardamos as câmaras nem fizessem questão de ver de que cor eram as nossas cuecas. A revista foi muito intensa, mas pouco minuciosa. Nenhum saco foi aberto e acreditaram sempre na nossa palavra no que dizia respeito ao conteúdo dos sacos. – “c’est mon bag avec mon personeles seulement.”

O Armando ainda tentou “bater o coro” de que o “Velhinho” (pai) lhe tinha enfiado umas garrafas à socapa na mala, mas o coro não colou e tivemos que desembolsar dois relógios que tínhamos levado para trocar e uma bola de andebol “três jolie” que era a única decente que levávamos para nós próprios jogarmos (essa custou perder, mas acho que nunca mais ninguém se lembrou dela depois disso).

Incoerentemente, o guarda que mais nos achincalhou e gozou por termos as garrafas connosco acabou o discurso dizendo que era melhor escondermos bem as mesmas porque elas eram proibidas no país e poderíamos ter problemas mais à frente. Duas na mala bastavam - dizia o mesmo - apenas por sermos estrangeiros e o álcool ser alegadamente para consumo (apesar de nenhum de nós se lembrar muito bem da ultima vodka que bebeu na vida). Assim fizemos. Refundimos o que tínhamos e o que não tínhamos e rumamos ao controlo seguinte, já sorridente mas com os joelhos ainda tremelicantes. Mais duas de letra no controlo seguinte, revista muito superficial, carimbo no passaporte, seguro para 5 dias e “vasi vasi á grand vitesse”.

Até Nouâdhibou que fica a cerca de 100 km da fronteira passamos por mais 2 controlos de “douanes”, mas nenhuma aldeia ou vila, 2e à chegada tínhamos tudo menos vontade de permanecer ali. Os olhares do exterior eram indiscretos e ansiavam por uma paragem nossa. Depois de todo o stress da fronteira só queríamos parar e relaxar, mas ali não! Paramos apenas o tempo necessário para dar de beber à Aurora um diesel Africano de qualidade duvidosa e comprar pão. Seguimos caminho até à capital mauritana, Nouakchott com paragem obrigatória na melhor estação de serviço por que passamos na Mauritânia até à data. Aí jantamos, dormimos e pela manhã, depois das rodagens e sessões fotográficas matutinas entre dunas, cabras e esqueletos, demos boleia ao Abd, um empregado da “stacion du service” TOTAL, que ficava em Nouakchott. Gajo porreiro o Abd. - Comprou-nos água para a viagem, fez dezenas de telefonemas onde só se entendia a palavra “portuguê” e pôs-me a falar com a namorada dele ao telemóvel mas o meu francês “c’est pas bom” e não consegui aguentar a conversa muito tempo. Ele parecia entusiasmado apesar de cauteloso com a nossa presença e no meio de toda a nossa insanidade lusitana acho que conseguiu perceber que éramos gente de bem e que estávamos tão apreensivos com a presença dele como ele estava com a nossa.




Já em Nouakchott o Abd indicou-nos o caminho até à Embaixada do Mali na Mauritânia, onde a boleia dele acabou e onde depois de conversarmos com o guarda da Embaixada percebemos que estávamos no Dia da Independência da Mauritânia e que tudo estava fechado por causa das celebrações. Má sorte a nossa. - “Só amanhã!” O Armando desolado, mas raposa velha nestas situações, abre caminho à conversa e um pouco depois, entre mulheres e futebol, já tínhamos o número do embaixador para o qual deveríamos ligar, mas sempre sem dar a entender quem nos tinha facultado tal numero. Uma hora e pouco depois já apertávamos a mão ao embaixador, explicando-lhe porque lhe pedíamos um visto de entrada para o seu país. Dominar o francês é quase imprescindível cá por baixo visto que as principais línguas utilizadas no comercio são o francês (língua dos colonizadores), o Árabe (língua da religião) e os dialectos tradicionais que variam por região e que não conhecem as fronteiras que os colonizadores ocidentais traçaram quase a régua e esquadro.

Entre calhaus e grãos de areia lá seguimos viagem, de passaporte visado na mão, a caminho do Mali. Na estrada, à entrada e saída de todas as aldeias ou cidadezinhas com direito a registo no mapa, estão sempre os controlos. Já em Marrocos era assim, mas se lá o passaporte era sempre inquestionavelmente apresentado e a sensação era desconfortável apesar dos sorrisos e da aparente boa disposição dos “gendarmes”, na Mauritânia, paradoxalmente, as figuras eram sempre mais sisudas, mas igualmente mais tranquilas no sentido em que raramente faziam muitas perguntas e foram quase tantas as vezes em que nos pediram o passaporte, como aquelas em que apenas nos perguntaram a nacionalidade para depois nos mandarem seguir, já sorrindo em tom de resposta aos nossos sorrisos.
Convém referir, até porque falamos nisso enquanto escrevo, que a Mauritânia é linda! A paisagem varia radicalmente de norte a sul e à medida que vamos descendo vamo-nos apercebendo que estamos mais próximos do coração africano. As dunas ficaram lá atrás e a sua areia deixou-nos os tripés a ranger sempre que são operados – mas as imagens, asseguro-vos, valeram a pena. Agora vemos pela frente planícies rasgadas por singulares montanhas, a terra está mais escura e avermelhada e é fácil encontrar o que parecem ser rochas ferrosas relativamente grandes, vegetação esporádica e pessoas simpáticas apesar de receosas com a nossa presença. Já paramos várias vezes na estrada para perguntar direcções, oferecer umas roupinhas à canalha e sacar uns “shots” com as câmaras em locais remotos, já fomos convidados a entrar em tenda alheia, mas também já tivemos que dizer nãos menos sorridentes. O Mandinho está um profissional do tripé e eu e o Ricardo já temos o olho mais aguçado para o que é realmente importante ou redundante registar. Agora que estamos a ficar ambientados ao clima, às paisagens e às gentes lembramo-nos que daqui a dois dias estamos novamente noutro país e tudo recomeça. Comemos sempre bem, apesar de nem sempre o fazermos a horas e os banhos têm sido com regularidade intermitente - dois até à data. Estamos no Sul da Mauritânia a caminho de Nioro, já no Mali. Quando lerem isto já deveremos estar no Mali à procura do visto para a Guiné Conakry, nosso primeiro destino, ou, quem sabe, já às portas do mesmo. Temos andado pouco em comparação com o que gostaríamos de andar, mas estamos adiantados em relação às previsões que fizemos em Portugal. Temos saudades, mas não queremos pensar muito nisso, porque ainda nos falta muita estrada, muita malga de cereais e muitos pratos tradicionais pelo caminho, mas seguramente estamos cheios de força e cada vez mais fortes para o que ainda nos espera!



Para Portugal enviamos beijos, abraços e sorrisos
mais morenos e mais suados, mas também muito mais intensos....




Texto: Nuno Ribeiro
Fotos: Ricardo Leal
Assistente de câmaras: Armando Santos

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

SAAHARA

“Se todas as pessoas pensassem de um ponto de vista artístico deixavam de pensar com a cabeça e passavam a pensar com o coração!”
OSCAR WILD

Olá…pela primeira vez escrevo desde o início da aliciante caminhada ao longo deste efervescente continente, ao mesmo tempo, tão rico e tão pobre…feito por aqueles que o constroem e o destroem. Ainda não sei ao certo se eles o “desconstroem” por necessidade, desespero ou preguiça….são vaidosos e riem-se por vontade reduzem as necessidades em prol de uma vaidade desmedida mas digna. Nós, vaidosos por inveja, achamo-nos necessitados do que não necessitamos mais, e então “o que move a VONTADE?...o que queremos ou o que gostaríamos de querer?...o que somos ou o que gostaríamos de ser?...o que vemos ou o que gostaríamos de ver?”…
Cá para mim, acho tudo pertinente, acima de tudo, o orgulho do que já se “É” pela vontade do que ainda se pode vir a “SER”…Porém, aqui o ritmo é tão preguiçoso quanto as vontades, são como dois imensos curiosos sem ferro para poisar; são duas faces da mesma moeda, contudo, faces do mesmo lado…e agora, “sendo estas gentes, à partida, mais necessitadas que todos nós, porque temos então mais necessidades do que eles? Que consciência temos a mais ou a menos…qual estará mais certa ou mais errada…e que diferença fará essa consciência mais acertada para a resolução dos problemas desta “pobre moedita azulada” que aos poucos vai perdendo a sua cor…e será que esses problemas existem ou serão criações daquelas cabeças minadas por trocos a custo zero?”…não sei…infelizmente os problemas existem, mas….não podemos continuar; nós “capitalistoconsumistas”; a querer receitar, por sintoma, as necessidades que não sentimos…aqui a administração “destas coisas” tem de ser feita em consonância com o ritmo cardíaco destas pessoas, que sentem…e bem!

























Será assim mais “justo” pedir que por todo a parte todos vivam com a consciência, possível, das necessidades e principalmente da importância que é ter necessidades mas, ainda mais importante será viver por vontades e espalhar sorrisos, receber e dar vida porque, antes de mais, somos todos frutos da mesma arvore, que tem raízes mais profundas que a nossa cultura, as mentalidades ou a nossa religião (quanto a esta ultima, acho que cada um devia construir a sua).
As mesmas raízes esforçadas, que jamais podem secar, pedem que “frutos” caiam para continuar a enriquecer o solo que as raízes procuram prender…mas não podem cair sempre os mesmos! …temos aprender a “cair” para continuar a enriquecer a TERRA. Temos que nos sujeitar em vez de apelar ao “Sujeito”; retirando frutos, protegendo as diferenças culturais e “amamentando” as pontes em vez dos muros…sorriam estão de olho em vós e o que fazemos aos outros volta de novo a nós…e volta a dobrar!
Dá que pensar…Já naturalmente muitas vezes tinha eu pensado sobre todas estas coisas boas para preencher o espírito a diferença é que nunca as tinha verdadeiramente escrito na pele…sintam, experimentem, partilhem…vão ver que não dói nada. J ;)


Um Gandabraço meu e outro aqui do Sahara Ocidental.


























Rumo ao sul de coração aberto e olhar atento…velocidade cruzeiro 100km/h!

««Aqui vamos nós ao sabor do vento…


TEXTO: Ricardo Leal